A primeira pedra

O texto que lemos narra o encontro de Jesus com uma mulher que foi flagrada em adultério. Esta historia é muito conhecida. Quem nunca ouviu “quem não tem pecado que atire a primeira pedra”. Esta frase contém dois temas de suma importância para a vida cristã. Hoje vamos analisá-los:

Primeiro tema é:
1.   SOBRE O PECADO - “todos pecaram contra Deus” (1-7). Como é difícil reconhecer o pecado. Lembram do fariseu e do publicano que foram ao Templo para orar. O fariseu ficou de pé e orou sozinho, assim: “Ó Deus, eu te agradeço porque não sou avarento, nem desonesto, nem imoral como as outras pessoas. Agradeço-te também porque não sou como este cobrador de impostos. Jejuo duas vezes por semana e te dou a décima parte de tudo o que ganho.”
a.     A mulher flagrada em adultério: Jesus via diante dele uma mulher israelita, filha de Abraão. Como pode alguém que foi ensinada sobre a lei, sobre o amor e a obediência a Deus se deixar levar por uma atitude tão baixa. Será que ela pensou que poderia ficar impune. Ela foi para cama com um homem que não lhe pertencia. Por isso era pecadora. 
b.     Os religiosos que a trouxeram: Não é dito quando e como essa mulher foi flagrada no adultério. No entanto, os escribas e fariseus haviam se apoderado dela e a feito ficar de pé no meio de todos. Deve-se imaginar um círculo de ouvintes em torno de Jesus e um espaço vazio, no qual ela foi colocada. Normalmente, em voz alta e em tom acusador com todos os detalhas era revelada infâmia, neste caso, por estarem no Templo, os detalhes se resumiram no “foi apanhada em flagrante”. A lei era clara “Se um homem adulterar com a mulher do seu próximo, será morto o adúltero e a adúltera” (Lv 20.10). “Se um homem for achado deitado com uma mulher que tem marido, ambos morrerão o homem e a mulher” (Dt 22.22). Mas, esses homens nem estão preocupados com o pecado e o combate a ele. Para isso eles não precisariam de Jesus. O que eles queriam era colocar Jesus em dificuldade: Se Jesus recomendasse a clemência, Ele se colocaria em oposição à lei de Moisés. Se Jesus recomendasse o apedrejamento, Ele entraria em choque com a lei romana, que reserva para si o direito de aplicar pena de morte. Além disso, Jesus entraria em choque com seus próprios ensinos, pois dizia que veio ao mundo, não para julgar o mundo, mas para salvar o pecador. Então, torna-se claro que zelo que tinham não era com os mandamentos de Deus, mas, ao contrário eram motivados pela mentira e pelo ódio. Nisto consistia o pecado.
c.     O homem que não veio: Ninguém adultera sozinho. Porém, o homem não veio, mas como Deus, com certeza Jesus sabia quem era e onde se encontrava. Ele como todo israelita era detentor de todos os privilégios que a Lei lhe concedia. E como homem, não soube lidar com os benefícios da Lei. Ele, desobedecendo a Lei, se deitou com uma mulher que não lhe pertencia, por isso, pela Lei também deveria ser julgado.
 
Quanto a isto Paulo lembrando as Escrituras escreve aos romanos: Não há justo, nem um sequer,  não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer” (Rm 3.10-12)
Lição:
  • Cada pecado traz suas conseqüências algumas maiores outras menores. As conseqüências do homicídio são maiores do que a do ódio; a conseqüência do adultério e do roubo é maior do que cobiça;
  • Um pecado pode até ser diferente do outro, mas isso não significa que não será punido. 
Quanto a isso Tiago escreve: “Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos” (Tg 2.10)
POR ISSO AS PEDRAS NÃO FORAM ATIRADAS
 
Segundo tema é:
2. SOBRE O PERDÃO - “todos merecem o perdão de Deus” (8-11). A difícil tarefa é perdoar. Certa vez Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: “Senhor, até quantas vezes devo perdoar o irmão que pecou contra mim? Até sete vezes? Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete” (Mt 18:21-22).
a.   Todos que se auto-examinaram: O ódio era patente e persistente. Como Jesus poderá escapar? MAS JESUS FICA EM SILENCIO. Será que ele está em silêncio por embaraço? Ou será que “escreveu” algo significativo na areia? Com essa atitude Jesus mostra o quanto ele se considera afastado de toda a hipocrisia de seus adversários. Depois, porém, quando os inquiridores continuaram a pressioná-lo, ele se põe de pé. E agora se a resposta que faz ruir toda a trama e que subitamente transforma os adversários triunfantes em derrotados e condenados: “Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire pedra”. No Livro de Números Moisés delega obrigações e responsabilidades para o povo e nele o próprio Moisés pronuncia um principio que se aplica muito bem a esta história. Disse Moisés: “Porém, se não fizerdes assim, eis que pecastes contra o SENHOR; e sabei que o vosso pecado vos há de achar” (Nm 32.23). Aqui todos estavam diante da responsabilidade, por isso, Jesus levou cada um a um auto-exame. Pois, quem não tem pecado?
b.   Todos que reconheceram o pecado: Um a um, a começar pelos mais velhos, foram embora. Porque todos pecaram. Todos são mentirosos, acusadores, adúlteros. Os religiosos de Israel poderiam manter a fidelidade matrimonial, mas cairiam no juízo do Sermão do Monte. Pois, lá Jesus não contradiz Lei Ele AMPLIA. Uma adúltera em Israel merece a sentença de morte. Pois bem, levem a lei a sério, comecem com o apedrejamento! Porém – o primeiro dentre vocês a lançar uma pedra, seja aquele que for sem pecado! “Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela.” (Mt 5:27-28). Motivo pelo qual nenhum deles pode atirar a primeira pedra contra a mulher adúltera.
c.   Todos que aguardaram pelo Mestre: Lembram da parábola do fariseu e do publicano. Enquanto o fariseu se auto-elogiava o publicano de longe nem levantava o rosto para o céu. Batia no peito e dizia: “Ó Deus, se propício a mim, pois sou pecador!”. E Jesus terminou, dizendo: Eu afirmo a vocês que foi este homem, e não o outro, que voltou para casa em paz com Deus. Porque quem se engrandece será humilhado, e quem se humilha será engrandecido. Aqui também, o Senhor foi propício, pois a mulher não saiu com os outros nem fez uso da oportunidade para escapar. Poderia ter fugido, mas não conseguiu afastar-se de Jesus. Ainda tinha ouvido a palavra do “Mestre”. Ele ainda não tinha decretado seu veredicto sobre ela. O único que poderia acusar era ele porque não tinha pecado. Porém Jesus não veio para condenar e sim para salvar. E foi isso que fez. Com amor salvou a mulher. Seu amor foi demonstrado pelo perdão. Jesus não trata o pecado levianamente, nem o desculpa. Ele tomara o pecado dela sobre si. Para Jesus prevalece nitidamente o que mais tarde Paulo expressará em tons doutrinários: “Não há distinção, pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3.23). Pessoas exteriormente limpas e “boas” não são interiormente diferentes que os “pecadores” manifestos, trazendo profundamente dentro de si o gérmen de todos os pecados.
Lição:
  • Não houve apedrejamento e sim perdão. Os homens vieram ali para verem um espetáculo e foram embora. Eles querem ação e não silêncio. Eles queriam punição e não perdão.
  • Jesus é a única resposta para o pecado. Pois, “Sobreveio a lei para que avultasse a ofensa; mas onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5.20).
  • Ele veio para perdoar os pecados, porém, o seu perdão não autoriza o pecado. Pois, da mesma forma que ninguém tem o direito de acusar, o pecador regenerado, restaurado, justificado e perdoado por Cristo NÃO TEM O DIREITO DE PECAR. Jesus depois do perdão não da nenhuma certidão de que autoriza o pecado.

POR ISSO JESUS DISSE:  VAI E NÃO PEQUES MAIS

Deus abençoe - Pr Saulo César

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